Graça Soberana

CENTRADOS NO EVANGELHO: reflexões cristocêntricas sobre a graça e as insondáveis riquezas do evangelho na vida de um desprezível pecador

Blogs: Aplicando o Evangelho de forma específica [Michael Plewniak]

O que fazer quando a Boa Notícia não mais parece boa? Quando “Feliz Aniversário”, o epítome das boas notícias da infância, passa a ser o lembrete de que você está ficando velho e limitado. Quando a alegre buzina do caminhãozinho de sorvete, de quando você tinha quatro anos, transforma-se, aos quarenta, na frase: “Filhinha, pega lá a minha carteira”. Quando aqueles primeiros choros do bebê no hospital trazem lágrimas de alegria e, três meses depois, às duas da manhã, causam um tipo diferente de lágrimas. E o que dizer de quando “Cristo morreu por seus pecados” se torna comum, e o que antes foi boa notícia se torna… bem… velhas notícias?

Há pouco, conversei com um casal exatamente sobre isso. Um dos cônjuges estava desanimado; o outro continuava tentando lembrá-lo de que “Cristo morreu por seus pecados”, mas não parecia conseguir ajudar. Eles não conseguiam mais experimentar nenhum encorajamento imediato. A reação deles foi a que tive muitas vezes: “Sei que é verdade, mas ainda estou sem ânimo”.

Ficamos tão hábeis em sintetizar o Evangelho no mais breve resumo possível, que às vezes esquecemos que o Evangelho precisa ser destrinchado, desenrolado. Precisa ser especificamente aplicado naquela área de nossa vida em que estamos especificamente desanimados naquele dia específico (tudo bem… estou martelando no aspecto da especificidade, mas você sabe por quê). Em Efésios 3.18, Paulo orou pedindo que “vocês possam, juntamente com todos os santos, compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento, para que vocês sejam cheios de toda a plenitude de Deus” (NVI). E creio que podemos crescer na descoberta de como o Evangelho se aplica a cada situação de nossa vida constantemente capaz de nos desanimar.

Lembro-me de quando isso passou a fazer sentido para mim. Foi quando Jerry Bridges veio pregar em nossa igreja, Cornerstone Church, de Knoxville. Ele compartilhou conosco como era tentado a ficar mais ansioso sempre que viajava. Um dia, leu o relato de Mateus a respeito de quando Jesus acalmou a tempestade. Talvez você lembre que houve uma grande tempestade, os discípulos ficaram aterrorizados, mas Jesus dormia no barco. Não ficou atemorizado, preocupado ou mesmo ansioso. Lembro-me exatamente das palavras de Bridges: “Jesus estava dormindo no barco EM SEU LUGAR”. Aí está uma aplicação específica do Evangelho. Cristo morreu pela ansiedade? Sim! Mas estava dormindo no barco para que a nossa ansiedade fosse substituída pela perfeita confiança.

Não apenas a nossa culpa é eliminada, mas também recebemos o crédito de algo maravilhoso: a perfeita obediência. Entender isso pode transformar a maneira de lermos os Evangelhos e a maneira de pregarmos o Evangelho uns aos outros. Cristo morreu pelos pecados que você cometeu! Sim! E viveu para lhe dar justiça e retidão! Ficou dormindo no barco EM SEU LUGAR. Teve compaixão pelos pecadores EM SEU LUGAR. Temeu a Deus e não aos homens EM SEU LUGAR. Orou sem cessar EM SEU LUGAR. Alimentou os famintos EM SEU LUGAR. Perdoou aos que o perseguiram EM SEU LUGAR. Você, em Cristo, recebe o crédito de toda a obediência dele. Deus olha para você como se você confiasse, tivesse compaixão, temesse a Deus, orasse, ajudasse os fracos e perdoasse perfeitamente. E essa lista não para por aí; ela continua.

Os puritanos costumavam se referir ao Evangelho como um diamante de muitas facetas. Assim como o diamante, o Evangelho tem muitos lados que mostram um novo brilho ou fulgor à medida que você o gira levemente. Os puritanos falavam de examinar o Evangelho de lado a lado, para que a cada dia você pudesse de novo contemplar o seu brilho.

A cada dia, em cada área da vida, temos a oportunidade de girar o diamante do Evangelho e contemplar seu esplendor. Em cada área em que fracassamos, temos a oportunidade de lembrar que Cristo não fracassou. Em cada área em que somos fracos, temos a oportunidade de lembrar como Cristo foi forte. Isso nos liberta para eu me gloriar “ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim” (2Coríntios 12.9).

Na grande substituição que se deu lá na cruz, não apenas todos os nossos pecados foram eliminados, mas também recebemos algo. Justiça. Imputada de Jesus para nós. Então não apenas Deus nunca nos punirá os pecados, mas também nos recompensa por causa da obediência de Cristo.

O Evangelho é mais do que velhas notícias; ele é a boa notícia. Embora “feliz aniversário” ou a buzina do caminhãozinho de sorvete não lhe soem como algo bom, o mesmo não pode acontecer com o Evangelho.

Sugestões de leitura

Graça que transforma, de Jerry Bridges (Cultura Cristã). Se Bridges o escreveu, provavelmente o ajudará nessa área. Esse livro foi escrito exatamente por essa razão.

O segredo da vida ao pé da cruz, de C. J. Mahaney (Vida)

Mike Plewniak tornou-se membro da  Cornerstone Church of Knoxville (CCK) em 1997. Formou-se no Pastors College de Sovereign Grace Ministries em maio de 2004 e hoje é um dos pastores da CCK. Ele supervisiona o ministério universitário chamado Volunteers for Christ [Voluntários por Cristo] (VFC). Quando estudava na Universidade do Tennessee, descobriu a Cornerstone Church of Knoxville por meio do VFC. Formou-se na UT em 2000, com especialização em Administração (Logística e Transportes), e integrou a equipe do VCF. Entre suas responsabilidades está a de coordenar as reuniões semanais e outros eventos desse ministério, oferecendo orientação ministerial aos alunos e aos demais membros da equipe, conduzindo estudos bíblicos e realizando várias tarefas administrativas. Ele e a esposa, Elizabeth, vivem em  Knoxville e têm cinco filhos: Ezekiel, Lillian, Knox, Freeman and Tess.

Título: Aplicando o Evangelho de forma específica. Autor: Michael Plewniak. Série: Blogs. Tradução: Graça Soberana/Fabiano Medeiros.

Copyright © 2012 de Michael Plewniak, © 2012 de Graça Soberana. Você pode ler o original aqui.

Solus Christus, sola gratia, sola fide, sola Scriptura, soli Deo gloria!

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