Graça Soberana

CENTRADOS NO EVANGELHO: reflexões cristocêntricas sobre a graça e as insondáveis riquezas do evangelho na vida de um desprezível pecador

Artigos: Não deixe de aproveitar o seu câncer! [Piper e Powlison]

Um caso bem próximo a mim fez-me ler de novo as 10 declarações de John Piper, seguidas das de David Powlison, que traduzi aqui com o objetivo de te abençoar e te levar a uma reflexão no dia de hoje.

Não deixe de aproveitar o seu câncer
15 de fevereiro de 2006

[Nota do editor: Nosso amigo David Powlison, da Christian Counseling and Education Foundation [Fundação Cristã de Educação e Aconselhamento], que também foi recentemente diagnosticado com câncer de próstata, fez alguns acréscimos às 10 declarações de John Piper. Os parágrafos recuados à direita, introduzidos pelas iniciais “DP”, são escritos por ele, David Powlison.]

[John Piper estará no Brasil em 2011, na Conferência Fiel. E David Powlison será trazido pelo Mackenzie a São Paulo em 29 de agosto a 1o. de setembro de 2011.]

Escrevo estas linhas às vésperas de uma cirurgia de próstata. Creio no poder que Deus tem de curar –por meio do milagre e por meio da medicina. Creio que seja correto e bom orar pedindo ambos os tipos de cura. Aproveitamos bem o câncer quando ele é curado por Deus. É ele quem recebe a glória, e é para esse fim que o câncer existe. Assim, deixar de orar pedindo a cura é o que pode levá-lo a deixar de aproveitar o seu câncer. Mas a cura não é o plano que Deus tem para todos. E existem muitos outros modos de não aproveitar o seu câncer. Estou orando por mim e por você para que saibamos aproveitar esse sofrimento.

DP: Eu (David Powlison) acrescento estas reflexões às palavras de John Piper na manhã após receber a notícia de que fui diagnosticado com câncer de próstata (3 de março de 2006). As dez declarações principais e os primeiros parágrafos que lhes seguem são escritos por ele; os parágrafos seguintes são meus.

1. Você deixará de aproveitar o seu câncer se não crer que ele foi planejado por Deus para você. Não serve dizer que Deus somente usa o nosso câncer, mas não o planeja. O que Deus permite, ele o faz com uma razão. E essa razão é o seu plano. Se Deus prevê os desenvolvimentos moleculares que se tornarão em câncer, ele pode detê-los ou não. Se ele não os detém, ele tem um propósito. Como ele é infinitamente sábio, é correto chamar esse propósito de plano. Satanás é uma realidade e causa muitos prazeres e sofrimentos. Mas ele não é a causa suprema. Assim, quando ele acomete Jó com as feridas (2.7), este as atribui em primeiro lugar a Deus (2.10), e o autor inspirado concorda: “Eles o consolaram e o confortaram por todas as tribulações que o Senhor tinha trazido sobre ele…” (42.11). Se você não crê que seu câncer seja projetado para você por Deus, você não o aproveitará.

DP: Reconhecer a mão de Deus que a tudo projeta não faz de você um calculista insensível, ou alguém que não expressa a verdade, ou alguém artificialmente volúvel. Antes, a realidade do plano divino inspira e canaliza seu grito sincero ao seu único e verdadeiro Salvador. O plano de Deus convida à expressão franca, em vez de nos fazer silenciar em resignação. Considere a honestidade dos salmos, do rei Ezequias (Is 38), de Habacuque 3. Essas pessoas são ousada e fielmente sinceras porque sabem que Deus é Deus e depositam nele as esperanças. O salmo 28 ensina que você deve orar a Deus de modo intenso e sem rodeios. Ele deve ouvi-lo. Ele o ouvirá. Ele continuará a trabalhar em você e na sua situação. Esse brado brota da percepção de que necessita de ajuda (28.1,2). Depois nomeie a Deus aquilo que especificamente o incomoda (28.3-5). Você tem a liberdade de personalizar usando seus próprios detalhes. Em geral, nas “diversas provações” (Tg 1.2) da vida, o que você enfrenta não exatamente reflete os detalhes que Davi e Jesus enfrentaram –mas a dinâmica da fé é a mesma. Tendo lançado seus cuidados sobre ele, que tem cuidado de você, passe então a expressar sua alegria (28.6,7): a paz dada por Deus que ultrapassa todo entendimento. Por fim, como a fé sempre se manifesta em amor, sua necessidade e sua alegria se transformarão em preocupação amorosa pelos outros (28.8,9). A doença pode aguçar sua percepção de como Deus de modo pleno já está e sempre esteve atuando em cada detalhe de sua vida.

2. Você deixará de aproveitar o seu câncer se crer que se trata de uma maldição e não de uma dádiva. “Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesusa…” (Rm 8.1). “Cristo nos redimiu da maldição da Lei quando se tornou maldição em nosso lugar, pois está escrito: ‘Maldito todo aquele que for pendurado num madeiro'” (Gl 3.13). “Não há magia que possa contra Jacó, nem encantamento contra Israel” (Nm 23.23). “O Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor concede favor e honra; não recusa nenhum bem aos que vivem com integridade” (Sl 84.11).

DP: A bênção nos chega naquilo que Deus faz por nós, conosco e por meio de nós. Ele traz para o palco da maldição sua grande e misericordiosa redenção. Seu câncer é em si uma daquelas 10 000 “sombras de morte” (Sl 23.4) que sobrevêm a cada um de nós: todas as ameaças, perdas, dores, incompletitudes, decepções, males. Mas em seus filhos amados, nosso Pai opera um bem extraordinário por meio de nossas mais pesarosas perdas: às vezes curando e restaurando o corpo (temporariamente, até a ressurreição dos mortos para a vida eterna), sempre sustentando e nos ensinando que simplesmente precisamos conhecê-lo e amá-lo mais. No terreno dos males que nos provam, sua fé torna-se mais profunda e real, e seu amor torna-se intencional e sábio: Tiago 1.2-5, 1Pedro 1.3-9, Romanos 5.1-5 e Romanos 8.18-39.

3. Você deixará de aproveitar o seu câncer se buscar o consolo nas estatísticas e não em Deus. O propósito de Deus com o seu câncer não é instruí-lo no cálculo humano e racionalista das probabilidades. O mundo consola-se com suas estatísticas. Não os cristãos. Alguns confiam em seus carros (percentual de sobreviventes) e outros em seus cavalos (efeitos colaterais do tratamento), mas nós confiamos no nome do Senhor nosso Deus (Sl 20.7). Em 2Coríntios 1.9 vemos o propósito claro de Deus: “De fato, já tínhamos sobre nós a sentença de morte, para que não confiássemos em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos”. O objetivo de Deus com seu câncer (dentre outras milhares de boas razões) é expulsar os esteios de debaixo do nosso coração de modo que descansemos inteiramente nele.

DP: O próprio Deus é o seu consolo. Ele dá a si mesmo. O hino Sossega, minha alma (de Katerina von Schlegel) calcula as probabilidades da forma correta: é 100% certo que sofreremos, e é 100% certo que Cristo nos encontrará, virá em nosso socorro, nos consolará e restaurará as mais doces alegrias do amor. O hino Que firme alicerce computa as probabilidades da mesma maneira: é 100% certo que você passará por grande aflição, e a seguinte promessa é 100% certa de seu Salvador: “Eu vos abençôo, convosco estarei. Pra santificar-vos a dor usarei”. Com Deus, você não está apostanto percentagens, mas vivendo dentro de certezas.

4. Você deixará de aproveitar o seu câncer se se recusar a pensar sobre a morte. Todos morreremos, se Jesus adiar seu retorno. Não pensar sobre como será deixar esta vida e se encontrar com Deus é tolice. Eclesiastes 7.2 afirma: “É melhor ir a uma casa onde há luto do que a uma casa em festa, pois a morte é o destino de todos; os vivos devem levar isso a sério!”. Como você levará isso a sério se não pensar a respeito? Salmos 90.12 afirma: “Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria”. Contar os seus dias significa pensar sobre quão poucos eles são e saber que terão um fim. Como você terá um coração sábio se se recusar a pensar sobre isso? Que desperdício se não pensarmos sobre a morte.

DP: Paulo apresenta o Espírito Santo como o “penhor” invisível e interior da certeza da vida. Pela fé, o Senhor oferece um doce antegozo da realidade da vida eterna na presença de nosso Deus e de Cristo, os quais veremos face a face. Também poderíamos dizer que o câncer é um dos “penhores” da morte certa, oferecendo um amargo antegozo da realidade de nossa mortalidade. O câncer é uma placa apontando para algo maior: o último inimigo que você haverá de enfrentar. Mas Cristo derrotou esse último inimigo: 1Coríntios 15. A morte foi tragada pela vitória. O câncer não passa de um dos espiões do inimigo de plantão. Não tem nenhum poder definitivo se você é filho da ressurreição, por isso você pode encará-lo bem nos olhos.

5. Você deixará de aproveitar o seu câncer se achar que “vencer” o câncer significa ficar vivo em vez de entesourar a Cristo em seu coração. Os desígnios de Satanás e de Deus com o seu câncer não são os mesmos. Satanás projeta destruir seu amor por Cristo. Deus planeja aprofundar seu amor por Cristo. O câncer não vence se você morrer. Vencerá se você deixar de entesourar a Cristo em seu coração. O propósito de Deus é desmamá-lo do peito do mundo e oferecer-lhe o banquete da suficiência de Cristo. Tem por objetivo ajudá-lo a dizer e a sentir: “… considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor”. E saber que, portanto: “para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fp 3.8; 1.21).

DP: Entesourar a Cristo no coração expressa as duas principais atividades da fé: a necessidade lúgubre e o pleno gozo. Muitos salmos bradam em “tom menor”: entesouramos nosso Salvador ao precisar que ele nos salve de problemas reais, pecados reais, sofrimentos reais, angústia real. Muitos salmos cantam em “tom maior”: entesouramos nosso Salvador deleitando-nos nele, amando-o, agradecendo-lhe por todos os seus benefícios a nós, regozijando-nos por saber que sua salvação é a coisa mais importante do mundo e que ele tem a última palavra. E muitos salmos começam num tom e terminam no outro. Entesourar a Cristo não é algo monocromático; você vive com ele todo o espectro da experiência humana. “Vencer” o câncer é viver sabendo como o seu Pai tem compaixão por seu amado filho, porque sonhece sua estrutura e sabe que é pó. Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida. Viver é conhecer a ele, a quem conhecer significa amar.

6. Você deixará de aproveitar o seu câncer se gastar tempo demais lendo sobre o câncer e não tempo suficiente lendo sobre Deus. Não é errado se informar sobre o câncer. A ignorância não é uma virtude. Mas o engodo de querer saber mais e mais e a falta de fervor por conhecer a Deus mais e mais são sintomas de descrença. O câncer tem por objetivo despertar-nos para a realidade de Deus. Tem por objetivo encher de sentimento e força a ordem: “Conheçamos o Senhor; esforcemo-nos por conhecê-lo” (Os 6.3). Tem por objetivo despertar-nos para a verdade de Daniel 11.32: “… o povo que conhece o seu Deus resistirá com firmeza”. Tem por objetivo tornar-nos em carvalhos inabaláveis, indestrutíveis: “… sua satisfação está na lei do Senhor, e nessa lei medita dia e noite. É como árvore plantada à beira de águas correntes: Dá fruto no tempo certo e suas folhas não murcham. Tudo o que ele faz prospera!” (Sl 1.2,3). Como desperdiçaríamos o câncer se lêssemos dia e noite sobre o câncer e não sobre Deus.

DP: O que vale para sua leitura vale também para suas conversas. As pessoas em geral manifestarão seu cuidado e preocupação fazendo perguntas sobre sua saúde. Isso é bom, mas a conversa pode facilmente não passar desse assunto. Então fale-lhes abertamente sobre sua doença, buscando suas orações e conselho, mas depois mude o rumo da conversa, contando-lhes o que Deus está fazendo para fielmente sustentá-lo com 10 000 misericórdias. Robert Murray McCheyne disse sabiamente: “Para cada olhar lançado ao seu pecado, lance dez na direção de Cristo”. Ele estava contra-atacando a tendência que temos de reverter essa proporção de 10 para 1 quando nos preocupamos demasiadamente com nossos fracassos e nos esquecemos do Senhor da misericórdia. O que McCheyne afirma sobre nossos pecados, podemos também aplicar aos nossos sofrimentos. Para cada frase que você proferir sobre seu câncer, diga outras 10 sobre seu Deus, sua esperança e o que ele lhe está ensinando, bem como as pequenas bênçãos de cada dia. Para cada hora gasta pesquisando ou falando de seu câncer, gaste 10 horas pesquisando sobre seu Senhor, falando dele e servindo-o. Conte tudo o que está aprendendo sobre câncer de volta para ele e para seus propósitos, e você não ficará obcecado.

7. Você deixará de aproveitar o seu câncer se deixar que ele o leve à solidão em vez de aprofundar seus relacionamentos com uma afeição manifesta. Quando Epafrodito trouxe os presentes a Paulo enviados pela igreja de Filipos, ele adoeceu e quase morreu. Paulo diz ao filipenses: “Pois ele tem saudade de todos vocês e está angustiado porque ficaram sabendo que ele esteve doente” (2.26,27). Que resposta suspreendente! Não diz que eles estavam aflitos pelo fato de ele estar doente, mas que ele estava aflito por eles terem ficado sabendo que ele estava doente. Esse é o tipo de atitude que Deus pretende criar com o câncer: uma atitude pelas pessoas profundamente afeiçoada, cuidadosa. Não desperdice o seu câncer se retraindo em você mesmo.

DP: Nossa cultura tem pavor de enfrentar a morte. É obcecada com os remédios. Ela idolatra a juventude, a saúde e a energia. Tenta esconder quanquer sinal de fraqueza ou imperfeição. Você abençoará enormemente aos outros se viver abertamente, crendo e amando dentro de suas fraquezas. Paradoxalmente, lançar-se em relacionamentos quando você está machucado e fraco na verdade fortalecerá outras pessoas. A prática dos “uns aos outros” é uma via de mão dupla, na qual se dá generosamente e se recebe com gratidão. Sua necessidade dá aos outros a oportunidade de amar. E como o amor é sempre o maior propósito de Deus para você, você também aprenderá as mais excelentes e felizes lições à medida que encontrar pequenos meios de manifestar preocupação pelos outros, mesmo quando se sentir mais fraco. Uma fraqueza grande e que ameace a vida pode revelar-se impressionantemente libertadora. Nada resta para você fazer exceto ser amado por Deus e pelos outros, amando a Deus e aos outros.

8. Você deixará de aproveitar o seu câncer se se entristecer como quem não tem nenhuma esperança. Paulo usava esta expressão em relação àqueles cujos queridos haviam morrido: “… não queremos que vocês sejam ignorantes quanto aos que dormem, para que não se entristeçam como os outros que não têm esperança” (1Ts 4.13). Experimenta-se dor na hora da morte. Mesmo para o crente que morre, existe perda temporária –perda do corpo e perda dos queridos aqui, e perda do ministério terreno. Mas a dor é diferente –é permeada de esperança. “Temos, pois, confiança e preferimos estar ausentes do corpo e habitar com o Senhor” (2Co 5.8). Não desperdice seu cancer sofrendo como quem não tem essa esperança.

DP: Mostre ao mundo esse modo diferente de sentir dor. Paulo disse que ele teria “trsiteza sobre tristeza” se seu amigo Epafrodito tivesse morrido. Ele vinha sofrendo, sentindo o peso doloroso da doença do amigo. Ele teria sentido dobrada dor se seu amigo tivesse morrido. Mas essa dor amorosa, sincera, voltada para Deus, coexistia com “alegrem-se sempre”, e “a paz de Deus, que excede todo o entendimento”, e “tenha interesse genuíno pelo bem-estar de vocês”. Como a angústia pode de algum modo coexistir com o amor, o gozo, a paz e um senso indestrutível do propósito da vida? Na lógica interna da fé, isso faz perfeito sentido. Aliás, como você tem esperança, você poderá sentir os sofrimentos desta vida mais agudamente: trsiteza sobre tristeza. Em contrapartida, a tristeza que não tem esperança muitas veszes escolhe a negação, ou o escapismo, ou o ativismo por não poder enfrentar a realidade sem cair no desespero. Em Cristo, você sabe o que está em jogo, e assim você sente de modo aguçado o erro deste mundo caído. Você não encara a dor e a morte como coisas normais. Você ama o que é bom e odeia o que é mau. Afinal de contas, você segue à imagem do “homem de dores, experimentado no sofrimento”. Mas esse Jesus escolheu sua cruz voluntariamente “pela alegria que lhe fora proposta”. Ele viveu e morreu na esperança de que tudo se concretizaria. Sua dor não foi calada pela autonegação ou pelos medicamentos, nem foi manchada pelo desespero, pelo medo ou debatendo-se por alguma lasca de esperança que pudesse mudar suas circunstâncias. As últimas promessas de Jesus jorram com alegria de sólida esperança em meio aos sofrimentos: “… para que a minha alegria esteja em vocês e a alegria de vocês seja completa […] mas a tristeza de vocês se transformará em alegria […] e ninguém lhes tirará essa alegria […] peçam e receberão, para que a alegria de vocês seja completa […] mas digo estas coisas enquanto ainda estou no mundo, para que eles tenham a plenitude da minha alegria” (seleção de João 15—17).

9. Você deixará de aproveitar o seu câncer se tratar o pecado com o mesmo descaso de antes. Os pecados que sempre o perseguem são tão atraentes quanto eram antes de você contrair câncer? Em caso positivo, você não está aproveitando o seu câncer. O câncer tem por objetivo destruir o apetite pelo pecado. A soberba, o orgulho, a ganância, a cobiça, o ódio, a falta de perdão, a impaciência, a preguiça, a procrastinação –todos esses são inimigos que o câncer tem por objetivo atacar. Não pense apenas em lutar contra o câncer. Pense também em batalhar junto com o câncer. Todas essas coisas são inimigos priores que o câncer. Não desperdice o poder que o câncer tem de massacrar esses inimigos. Deixe que a presença da eternidade faça os pecados deste tempo se mostrarem fúteis como realmente são. “Pois que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder-se ou destruir a si mesmo?” (Lc 9.25).

DP: O sofrimento de fato tem por objetivo desmamá-lo do pecado e fortalecer sua fé. Se você não tem Deus, então o sofrimento amplifica o pecado. Você se tornará mais amargo, desesperado, viciado, temeroso, frenético, evidanto tudo, sentimental, não voltado para Deus no modo como encara a vida? Você fará de conta que a vida é ocupada como sempre? Você se entenderá com a morte da sua maneira? Mas, se você é de Deus, então o sofrimento nas mãos de Cristo o transformará, sempre aos poucos, às vezes rapidamente. Você se entende com a vida e com a morte da maneira dele. Ele o enternecerá, o purificará de suas vaidades. Ele o fará precisar dele e amá-lo. Ele reorienta suas prioridades, de modo que as coisas mais importantes ocupem o primeiro lugar com mais freqüência. Ele andará com você. Claro que você fracassará às vezes, talvez acometido pela irritabilidade ou pela excessiva preocupação, pelo escapismo ou pelos temores. Mas ele sempre o levantará quando você tropeçar. Seu inimigo interior –um câncer moral 10 000 vezes mais mortal que seu câncer físico– morrerá à medida que você continuar buscando e encontrando seu Salvador: “Por amor do teu nome, Senhor, perdoa o meu pecado, que é tão grande! Quem é o homem que teme o Senhor? Ele o instruirá no caminho que deve seguir” (Sl 25).

10. Você deixará de aproveitar o seu câncer se deixar de usá-lo como meio de testemunhar da verdade e da glória de Cristo. Os cristãos jamais se encontram no lugar onde se encontram por acidente divino. Há razões para acabarmos estando onde estamos. Considere o que Jesus disse sobre as circunstâncias dolorosas, não-planejadas: “… prenderão e perseguirão vocês. Então os entregarão às sinagogas e prisões, e vocês serão levados à presença de reis e governadores, tudo por causa do meu nome. Será para vocês uma oportunidade de dar testemunho” (Lc 21.12,13). O mesmo acontece com o câncer. Essa será uma oportunidade de dar testemunho. Cristo é infinitamente digno. Eis uma oportunidade de ouro de mostrar que ele vale mais que a vida. Não a desperdice.

DP: Jesus é sua vida. Ele é o homem diante de quem todo joelho se dobrará. Ele derrotou a morte de uma vez por todas. Ele concluirá o que iniciou. Que sua luz brilhe de tal modo que você viva nele, por ele, por meio dele, para ele. Um dos hinos antigos da igreja expressa isso desta forma: “Seja Cristo comigo, Cristo dentro de mim, Cristo na retaguarda, Cristo adiante, Cristo ao meu lado, Cristo a me dominar, Cristo a me consolar e restaurar, Cristo por debaixo de mim, Cristo acima de mim, Cristo na calma, Cristo no perigo, Cristo nos corações de todos os que me amam, Cristo nos lábios de amigos e estranhos” (extraído de A mim prendo o nome). Em seu câncer, você precisará que seus irmãos e irmãs testemunhem da verdade e da glória de Cristo, andem com você, que vivam a fé deles ao seu lado, que o amem. E você pode fazer o mesmo com eles e com todos os outros, tornando-se o coração que ama com o amor de Cristo, a boca cheia de esperança tanto para amigos quanto a estranhos. Lembre-se de que você não foi abandonado. Você terá o auxílio de que necessita. “O meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus” (Fp 4.19).

Pastor John

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Publicado às 16 de maio de 2006 por em Sofrimento e marcado , , , .
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