Graça Soberana

CENTRADOS NO EVANGELHO: reflexões cristocêntricas sobre a graça e as insondáveis riquezas do evangelho na vida de um desprezível pecador

Poemas de graça

Sabe aqueles dias, como todos, eu diria, em que a gente precisa de novo revisitar a graça, a cruz, o evangelho… e perceber mais uma vez quem somos, nossa pecaminosidade, a luta interior da carne e do Espírito e o desejo humano de ganhar o favor divino por meio de obras?

Espero que com o poema-oração abaixo eu possa ajudá-lo hoje, se você estiver experimentando esse desalento cósmico da carne em luta contra o Espírito e esse sentimento de desconexão com a realidade eterna da vida com Deus.

Não se esqueça que nossa união com Cristo é um fato, e a salvação, um dom não somente gratuito, mas eterno. Descanse na graça e nas misericórdias de Deus renovadas para você no dia de hoje e na justiça concedida a você uma vez por todas na cruz do Calvário, a qual não se altera um milímetro sequer diante de seu pecado, seu baixo “desempenho” cristão e sua infidelidade ou falta de constância na caminhada com ele.

Na verdade, todas essas coisas só vêm confirmar que de fato precisamos de um Salvador e foi por isso que ele veio, fez-se carne e, tomando o nosso lugar, morreu, pagando o preço do nosso pecado e nos dando um novo coração regenerado.

Descanse nas maravilhosas doutrinas da graça de Deus, encontradas em sua Palavra, e nelas medite para que o evangelho ganhe nova dimensão e força para você hoje, mesmo enquanto experimenta os efeitos da presença do pecado que habita em você! Não só o pecado reside em nós, mas principalmente o Espírito de Deus habita no crente e o capacita a mortificar o pecado, a carne, e dizer não ao mundo por meio da obra da graça efetuada na cruz de Cristo. Aleluia!

1

Se me quero conhecer, já aprendi (ou ao menos deveria),
que mais a Ti conheça,
submisso à luz da tua Revelação,
por ela decomposto e reconstruído,
abatido e reerguido,
sentenciado e absolvido,
morto e revivido.

O Verbo que proferes me revela quem sou e me (re)define,
trazendo luz brilhante e perspectiva precisa,
cortante análise que me deixa sem fala
e me esquadrinha até os ossos.

Mas não é exatamente o que escolho
e prefiro decantar a cada instante,
quando fecho os olhos para quanto em mim te repele
e prossigo amando o conforto vago e casual da rebeldia,
aquele punho cerrado da alma
que grita glória a tudo que em mim respira e pulsa,
glória a minha lei e passe livre a minha vontade,
salvo-conduto a minha crença vã na auto-estima,
na justiça própria, na autodependência,
na busca insaciável do prazer pessoal,
na independência arrogante e acintosa
que grita a vitória e a liberdade em relação a ti.

A cada dia…
enquanto tuas misericórdias se vão renovando a meu favor,
bem diante dos meus olhos…
com a clareza límpida do mais cristalino ribeiro!

Quero todos os dias fazer de conta que
não te encontrei na estrada da vida,
que tua luz, que foi a meu encontro e me lançou por terra,
quando eu andava tateando meus limites trôpegos,
não passou de um sonho alucinado,
do qual quero ainda acordar para um reinado só meu,
no aconchego das minhas trevas.

Pois esqueço sempre quem sou e
quão efêmeros e fugazes meus caminhos,
esqueço sempre que qualquer
sonho mais lindo que eu sonhe ou alimente
não passará de utópica quimera… mera alucinação,
se à parte dos teus sábios decretos sempiternos.

E esqueço da Cruz, lugar único de
onde flui justiça e propiciação,
amor e graça,
reconciliação e piedade,
regeneração e humildade,
vida nova e vida eterna,
perspectiva e gratidão.

Gratidão que nem sempre alimento,
e que poderia me transformar
pela força do amor,
ao contemplar que árduo e longo caminho trilhaste por mim…
não só apesar mas também por causa de mim…

Dá que eu volte os olhos à cruz,
não esqueça quem sou e, mais importante, quem és,
nem gaste meu tempo urdindo a teia
da minha religião furada,
antes te tenha por alicerce único e malha
exclusiva da vida aqui e no porvir.

Em outras palavras, enche meu peito
de paixão por ti e por tua glória,
e dá-me a lucidez que brota
das boas-novas da cruz,
uma lucidez que apruma
o meu mundo e lhe dá o sentido.

E eu seguirei tendo de ser relembrado.
Aliás, como te posso agradecer
por me relembrares hoje mais uma vez?
E por amanhã já teres determinado teus novos meios de me
centrar em ti, na obra da cruz e na esperança do evangelho?

(Fabiani Medeiros, 9 de março de 2006, 16h09, Gilbert, AZ, USA)

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