Graça Soberana

CENTRADOS NO EVANGELHO: reflexões cristocêntricas sobre a graça e as insondáveis riquezas do evangelho na vida de um desprezível pecador

Graça soberana: o pleonasmo necessário

No post anterior fiz minha defesa (tentei!) a favor do uso de “graça soberana” para ainda sinalizarmos quem de fato está no controle, sem que esse controle desminta o caráter realmente gracioso da graça! Busquei também mostrar que licenciosidade e legalismo são conceitos espúrios à graça. Nesse sentido, “graça” e “soberana” não são elementos mutuamente excludentes… mas mutuamente explicativos. Precisam andar juntos!

No entanto, como Jerry Bridges expressou muito bem em uma de suas aulas do curso Graça e santificação (Pastors College, Sovereign Grace Ministries, 2005): “A graça como um todo é, por definição, ‘graça soberana’, uma vez que: 1) Deus tem a liberdade de concedê-la ou retê-la, 2) Deus não está obrigado a concedê-la e 3) Deus não nos deve coisa alguma”. Depois de citar Romanos 8.18 (“Considero que os nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada”), ele continua:

Imagine uma balança. Um dos lados recebe a totalidade das agruras e sofrimentos que enfrentamos; o outro lado traz a recompensa. O lado da recompensa fica totalmente rebaixado. As recompensas de Deus a nós não se dão em proporção aos nossos sofrimentos. Suas recompensas para conosco são desproporcionais, porque são atos da graça soberana.

E, citando William Tyndale, ele conclui:

Tudo o que faço e sofro encaminha-se para a recompensa, mas não o merecimento
daquilo que faço ou sofro. Cristo é Senhor de todos, e o que quer que qualquer homem receba de Deus, deve receber livremente por causa de Cristo.

Embora essas afirmações mostrem a relativa superfluidade do adjetivo “soberana”, pois graça já é por definição soberana, precisamos desesperadamente, em virtude da desfiguração do entendimento sobre a graça em nossos dias, tão claramente sentida, por exemplo, em teologias que querem pôr Deus no bolso e exigir que ele aja sob pena de não ser mais crido ou adorado… precisamos desesperadamente recuperar o aspecto soberano da graça de Deus.

Graça soberana não é, portanto, um contrasenso! E, por força da diluição teológica do termo presenciada em nossos dias, não é também um pleonasmo!

Regozijemo-nos no Deus gracioso e misericordioso, que nos salvou pela graça, pela fé, mas para a prática das boas obras. “Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos” (Efésios 2.10).

Para ressaltar o aspecto imerecido da graça, que justamente reflete a soberania de Deus, aqui vai minha tradução do hino contemporâneo de Mark Altrogge e Bob Kauflin, Mercies anew, do álbum Upward, na linda voz de Shannon Harris.

Sempre ao despertar, tua mercê se refaz,
’té no meu respirar sei que és fiel e veraz.
E ao cessar meu labor, quando o dia findar,
vou tuas misericórdias cantar.

Se, perdido, errei, me alcançou teu amor
com tua graça contei: fez-se nova, Senhor.
Se em pecado eu cair, não me vais desprezar.
Vou tuas misericórdias cantar.

Não tem fim tua misericórdia, ó Deus.
Dura para sempre, bem sei.
Pode até do mundo o esplendor passar:
tua graça não mudará.

E no feroz temporal vou à graça correr;
na aflição e no mal sei que vais me valer.
E em meus dias finais, quando o céu contemplar,
vou tuas misericórdias cantar.

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Publicado às 11 de dezembro de 2005 por em Graça soberana e marcado , , .
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